Mulheres na Informática: O
Movimento LinuxChix BR
Neste artigo apresento o movimento LinuxChix BR, que tem por objetivo
incentivar mulheres a participar e contribuir com o
Linux e o movimento do Software Livre. Conheça e participe!
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"Pesquisa mostra que a proporção de
mulheres entre os
bacharéis de computação teve seu auge de 37% em 85
e caiu em declínio.
Mulheres tem sido 28% dos formandos nos ultimos anos, e nas confins
elitistas das universidades
de pesquisa, apenas 17% dos graduandos são mulheres. (O
percentual de
mulheres entre os que recebem PhD aumentou, mas ainda ronda os 20%).
O argumento de muitos cientistas é que mulheres que estudam
computação ou tecnologia, como estão desafiando
expectativas sociais,
estão em uma posição desconfortável desde o
começo. Então elas são mais
propensas a desistirem de conseguir um diploma em
computação se elas
forem expostas a um ambiente desagradável, má
instrução, e esteriótipos negativos, como a imagem
do hacker."
Notícia do IDGNow! de 2005 "Mulheres são apenas 2% no
movimento de Software Livre"
Esta notícia da The Boston Globe e do portal IDGNow! mostra
como o mercado da
tecnologia da informação é desigual perante homens
e mulheres, mas isso tem mudado rápidamente, o movimento
LinuxChix Brasil é a proa deste movimento, seguido de
inúmeros outros, que vão deste a lista des discussoes,
até paletras em feiras como o FISL.
O objetivo principal do movimento LinuxChix é levar a
mulheres linuxers um ambiente confortável e seguro para discutir
e promover o
Linux e outros ramos da informática. Existe no site
LinuxChix.org.br a possibilidade de voce participar de uma lista de
discussão sobre o grupo, publicar artigos, e incentivar outras
mulheres a contribuirem com o movimento.
Se voce quiser participar da lista da discussao linuxchix Brasil
acesse:
http://listas.linuxchix.org.br/mailman/listinfo
Para conferir a documentação criada pela mulheres do
movimento acesse:
http://www.linuxchix.org.br/?q=node/18
http://www.linuxchix.org.br/?q=node/21
http://www.linuxchix.org.br/howto/index.html

Mas não pense que o movimento é so para mulheres, homens
também são aceitos, representando mais de 50% dos
participantes. Nós, levamos nossas mulheres e esposas a
participar do movimento, fazendo -o crescer mais, coincidentemente
relacionamentos entre participantes pode
acontecer, como em qualquer lugar, provando que a
participação de homens no movimento LinuxChix Brasil
não é exclusivamente devido à presença de
mulheres.
Como disse, o LinuxChix é a proa deste movimento no mundo,
podemos ver que existem inúmeros outros projetos direcionados ao
público feminino, dentre os mais famosos temos o Debian Women,
KDE Women, Ubuntu Women, Fedora Womem, no Brasil temos ainda o
movimento GNUrias(http://www.gnurias.org.br/), que teve parte
fundamental na criação do projeto LinuxChix Brasil.
Mas voce pode pensar que devido ao fato da criacao do movimento
LinuxChix Brasil as usuárias feminias são má
recebidas em outros grupos Open Source? A resposta é nao, pelo
contrário, podemos encontrar aqui mesmo no Viva O Linux
inúmeros artigos criador por usuárias mulheres e de alta
qualidade.
Mas a existência de um movimento dedicado ao público
feminino prejudica a presença dela em grupos mais
genérios? Não, se esses grupos realmente forem inclusivos
a todos, melhor ainda.
Colocar rótulo como que o LinuxChix Brasil é um
movimento radical feminista é erroneo, O LinuxChix -BR tem por
objetivo,
como já foi dito, busca levar um ambiente confortável
para que mulheres possam colcaborar com o ambiente Software Livre,
sendo
todos bem-vindos.

Dentre as atividades que o grupo realiza temos várias
atividades técnicas, produção de
documentação, palestras técnicas para
desenvolvedores e administradores de sistemas, palestras para
usuários iniciantes e a realização de um encontro
anual do movimento para a troca de experiências e conhecimentos.
Você pode participar de inúmeras formas, muitas delas
podem ser conferidas em www.linuxchix.org.br. Ou ainda apareça
nos
estandes nos principais movimentos de Software Livre para conhecer
melhor o movimento ou simplismente para trocar uma idéia.
História do LinuxChix
A Canadense Deb Richardson funda em Março de 1999 o
movimento LinuxChix, vivendo em Ottawa, no Canadá, ela contribui
com a comunidade organizadon o movimento. Muitos encontros do movimento
de mulheres usuárias dos sistemas GNU/Linux são feitas
diariamente pela lista de discussão do movimento, e os temas
abragidos vão desde a filosofia do Software Livre a temas
técnicos sobre configuração de servidores.
Deb trabalha na empresa LinuxCare, que prove suporte a
inúmeras distribuições linux: Red Hat, Caldera,
Slackware e plataformas como Intel, PowerPC e Sparc. O Movimetno
Linuxchix é frequentado por todas as faixas etárias,
desde garotas de 14 anós, até senhoras de 150 anos.

O LinuxChix Brasil
A história do LinuxChix Brasil
é contada com perfeição pela sua maior
colaboradora, neste
texto reproduzido abaixo, você poderá conhecer pelas
palavras da própria Sulamita Garcia, a história do
movimento em território nacional.
"Um dos convidados do 6º FISL foi David A. Wheeler, defensor do movimento Open Source, que apresentou a palestra "Why Open Source? Look at the Numbers!". Após voltar a sua casa, ele escreveu um relato para o site que mantem, onde escreveu uma sessão especial notando a grande participação feminina no evento e elogiando o trabalho do LinuxChix Brasil. Notou que esta participação ainda é muito rara em outros países, e que gostaria muito de saber como foi que o Brasil conseguiu mudar este quadro. Escrevi então um relato histórico de toda a história e o trabalho feito por muitas meninas do LinuxChix Brasil, que batalharam para que a comunidade Linux fosse um lugar onde homens e mulheres pudessem conviver e contribuir.
Esta história foi contada no 3o Encontro Nacional LinuxChix Brasil de forma plena, e resumida na 6a edição do Forum Internacional de Software Livre deste ano[1]. Entrei em contato com o LinuxChix Brasil em 2001, seguindo o link existente no LinuxChix Internacional. Na época, a lista consistia de 30 pessoas que mandavam posts em média a cada 2 meses(o que pode ser visto em [2]). A mensagem original continua na descrição da lista, que "existe para dar às usuárias brasileiras de GNU/Linux e Software Livre a sensação 'hey, eu não sou a única!'".
A lista foi criada por Andrea Fabiana Flores, na época funcionária da Conectiva, que junto ao Cipsga[3] conseguiu um espaço para a lista e colocou alguma descrição em [4]. Inspiradas por uma palestra feita por Fabiana no segundo FISL, as Gnurias criaram um grupo voltado ao trabalho social e de inclusão digital. Depois de algum tempo, Fabiana resolveu se afastar de tudo, e passou a responsabilidade do grupo para Michelle Ribeiro. Nesta época, o grupo estava criando identidade. Houve até uma discussão sobre a mudança para GnuChix, o que não representava o que eu particularmente acreditava, e apos algum debate, Michelle colocou o questionamento de "então precisamos fazer o grupo ter ações de verdade. Quantos eventos promovemos? Que ações efetivas fizemos?".
O site então foi reformulado, sob coordenação da Michelle e alguns colaboradores, e começamos a incentivar a produção e contribuição. Começamos com a tradução do Howto Encourage Women, de autoria da Val Henson[5]. Criamos um outro howto, pois o primeiro era dirigido ao público masculino, e entendemos que era das mulheres a responsabilidade de criar um ambiente para se desenvolverem na profissão, o que motivou o segundo Como incentivar Mulheres no Linux[6], desta vez com tradução para o ingles[7], produção brasileira. Reuni diversos materiais técnicos, de Alta Disponibilidade, Qmail, Slackware, continuamente atualizados, e convocamos as Chix a participarem. Diversas Chix aceitaram o desafio e começaram a enviar materiais para publicação: Danielle Santini falou sobre Programação Paralela, Camila "Misfit" falou sobre Samba, LDAP, Liziane sobre CVS, Vanessa sobre Java[8]. Na mesma época surgiu o primeiro Encontro Nacional LinuxChix Brasil, assistido por mais de 300 pessoas, com objetivo de incentivar as mulheres a se sentirem a vontade em comparecerem a eventos técnicos e palestrarem. Na época foi feito em conjunto ao grupo de Slackware e Fernanda Weiden, uma das fundadoras do PSL Mulheres. Porém devido a divergências de como as coisas deveriam ser mantidas, com a criação da lista em novembro de 2003, surgiu o PSL Mulheres, cujo próprio site informa que "O propósito não é ser um grupo de usuárias. Estamos abrindo espaços para que as iniciativas aconteçam e para isso buscamos apoio nas diferentes esferas da sociedade - pública e privada." E então a Michelle também se afastou, e eu herdei a responsabilidade sobre o grupo.
E no ano seguinte o segundo ENLB fez o primeiro vôo solo. Um trabalho bastante árduo porém bem sucedido, assistido novamente por mais de 300 pessoas, mantendo o espírito Open Source de contribuir e incentivar o desenvolvimento técnico, hoje em dia tão divulgado na forma de que precisamos contribuir, sermos produtores, não apenas consumidores. E desde o começo o ENLB defendeu esta idéia. O resultado destas iniciativas espalhou-se por todo o Brasil, não apenas no ENLB ou FISL, mas em eventos como Conisli, Sinapse Digital, Semana da Informatica de Santo Andre, de Campinas, no Congresso Catarinense, onde a participação feminina na comunidade foi tomando corpo. Por mais de uma dúzia de vezes a palestra "Software Livre é coisa pra Macho? As mulheres e o software livre" foi apresentada pelo Brasil, desde Salvador até Porto Alegre, alem de outras de cunho técnico[9].
Este ano, visando incentivar mulheres fora dos locais já
tradicionais
em eventos Linux, o ENLB foi visitar Belo Horizonte para iniciar uma
série de expedições visando incentivar mais
mulheres a se envolverem
com Open Source. O trabalho local centralizado por Priscilla Pimenta e
Carolina Lauriano, com apoio remoto meu e da Luana Coimbra, resultaram
num evento amplamente divulgado pela iniciativa de promover a
integração de mulheres, e reconhecido pela própria
LinuxChix
Internacional como "uma das mais bem sucedidas regionais em trazer
mulheres aos eventos de Linux pelo país"[10]. Várias
estudantes depois
promoveram pequenos install fests pela cidade, e preparam uma
apresentação sobre Linux e mulheres na Enecomp que
irá acontecer em
Bonito-MG, de 1 a 5 de agosto deste ano.

O resultado destes eventos vai alem da simples divulgação. O dinheiro adquirido com o segundo ENLB foi transformado em um servidor próprio, visando fornecer espaço para mulheres que queiram divulgar iniciativas de desenvolvimento e treinamento. O terceiro Encontro forneceu fundos para financiar a ida de diversas integrantes, como Priscilla e Renata Romanazzi entre outras, ao FISL, que não pôde custear a ida das integrantes do grupo, onde elas apresentaram palestras e debates, sobre temas técnicos e sobre o próprio grupo e o trabalho desenvolvido nestes 5 anos. Além de um stand colorido e amigável, onde apresentamos nossas idéias, fizemos um mural sobre a história das mulheres nas Ciências da Computação, revelando efeitos memoráveis para a informática como a criação do compilador, do conceito de funções recursivas, e da primeira rotina que hoje conhecemos como programação, entre outras.
Lá contamos de como foi duro aguentar piadas machistas e o preconceito existente de que mulheres mechendo com Linux deveriam no máximo saber usar interface gráfica, não servindo para trabalhos técnicos. Suportamos o preconceito de primeiro julgarem a aparência depois o valor das contribuições para a comunidade. E vimos com muita felicidade quando os próprios membros da comunidade começaram a combater este preconceito[11].
Nós da LinuxChix Brasil reconhecemos a comunidade FOSS como uma comunidade que precisa de trabalho efetivo para sobreviver. Acreditamos que não teria efeito criar uma geração de apertadoras de botões em um ambiente machista e hostil como era quando começamos. Que as mulheres precisavam de incentivo para não largarem a profissão e descobrirem as vantagens de compartilhar código e conhecimento. E que era nossa tarefa fornecer este ambiente para futuras profissionais[12].
Nos orgulhamos do trabalho feito por muitas mãos e muitos nomes, mas não nos furtamos a apresentar dados e fatos que efetivamente resultaram na participação feminina como atuantes e contribuidoras da comunidade. Não queremos minimizar trabalhos alheios nem ocultar nomes, que qualquer busca na Internet revelaria. O que sempre desejamos foi fazer parte da comunidade, termos amigos e contribuirmos, compartilhando o que mais nos motiva: conhecimento. Just for fun ;)
Pois é gente... de "Porque existem tão poucas mulheres no Linux?" passamos a receber perguntas de "Como isto aconteceu? Porque existem tantas mulheres envolvidas no Brasil, quando isto ainda é raro em outros países?(how did this occur? Why are so many women involved in Brazil, when this is still relatively rare in many other countries?""